Ou você educa seu filho, ou a internet irá fazer isso. (Reflexão caso Suzano)



18/03/19 03h03   Educação Imprimir
Autor: Reginaldo Santana

Não se assustem, pai ou mãe. Não fiquem chateados com a possibilidade de nossos filhos tornarem-se um assassino como Guilherme Taucci (17 anos) e Luiz Henrique Castro (25 anos) nesse trágico massacre na escola de Suzano em São Paulo. Também sou pai e sei como é difícil pensar nisso e como isso nos deixa assustados.

 

No episódio de Suzano foi anunciado pela polícia que o massacre foi planejado por mais de um ano e já sabem que eles fizeram pesquisas sobre atentados em escolas nos Estados Unidos e que encontraram anotações dos jovens sobre tática de jogos, games de tiros e participação em site anônimos. Agora, alguns pais estão culpando o uso de jogos como o principal fator no acontecimento, uma vez que um dos jovens do massacre estava vestindo roupas similares do jogo Free Fire. Será mesmo que foi devido ao uso do jogo?

 

Precisamos parar agora tudo que estamos fazendo. Parar e Parar. Pare pai, pare mãe. O que vocês estão fazendo com seus filhos? A grande questão é aproveitar esse momento, fazermos uma análise de como estamos reservando nosso tempo para educar nossos filhos e como estamos fazendo isso, além de culpar somente o uso excessivo de smartphone, ou computador. Temos a tendência de simplificar toda a culpa pela má formação dos jovens devido a tudo que estão fazendo no mundo digital e resumimos em: a culpa é do celular. Essa afirmação ainda é endossada, facilitada pelas estatísticas onde, os brasileiros por exemplo, passam mais de 9 horas diárias de uso do celular (CGI 2018). Jogos, redes sociais, assistir vídeos são os principais motivos para termos uma taxa de tempo tal alta no uso de aparelhos eletrônicos. O problema é que nossa formação psicológica, social é impactada pelo meio em nossa volta e nesse caso nossos filhos são influenciados de muitas formas por todos os elementos que estão sendo disponibilizados no smartphone, pois o uso excessivo pode deixar os filhos com menos curiosidade, menor autocontrole, menos estabilidade emocional e menor capacidade de concluir tarefas usoEstudo público pela revista (Preventive Medicine Reports)

 

Agora peço que pare novamente. Será que a culpa é do celular, ou o celular é resultado do tempo que os pais não estão se dedicando para educar seus filhos? Quanto tempo vocês ficam com seu filho conversando? De quanto em quanto tempo, vocês pais, assistem um bom filme junto com seus filhos? Qual foi a última vez que você foi para um piquenique ou foram para a praia? A maioria vai dizer “eu faço isso sempre”. Será? Posso te garantir uma forma tranquila e com evidências, mais de 10 anos em sala de aula, conversando com pais e mães, e o que as crianças e adolescentes mais reclamam é a falta de tempo que os pais têm para elas. Essa falta de tempo pode ser devido ao trabalho. No entanto, o momento que deveria ser dedicado a melhorar a relação afetiva com o filho, os pais perdem essa oportunidade se ocupando com outras tarefas ou afazeres que não são prioridade, onde o que chama mais atenção é a reclamação dos filhos que os pais, em casa, não dão atenção porque ficam também usando celular.

 

Para rechear mais ainda o problema de atenção, outro ponto que quero destacar é a forma como os pais regem o dia a dia de seu filho em relação as prioridades de vida. Vejo muitos pais pegando seus filhos e colocando em “n” atividades, o filho faz judô, natação, curso X, curso Y e Curso Z; a percepção que fica é a que querem se livrar deles, utilizando muito o discurso de que o importante é ocupar a mente do garoto(a), quando na verdade nem param nem para perguntar o que o filho realmente deseja fazer, a maioria nem tem mais rapport – empatia – para conversar com o filho. Esse distanciamento dos pais permite a criação, oportunidade deles passarem a maior parte do tempo usando o smartphone em busca de diversão, de se manter conectados a amigos que de fato o respeitem e é comum serem atraídos por comunidades na internet para ampliar seu nicho de amizade, e é nessas comunidades que podem sofrer más influências e começarem a se interessar por coisas inconsequentes, como o caso do Guilherme e Luiz, que segundo a polícia participavam de comunidades online na qual pessoas anônimas incitam crimes e intolerância.

Vocês pais, precisam assumir de fato a sua função de educar seus filhos para a vida, não esperem que a escola resolva isso, que as escolas não conseguem nem cumprir com a missão de passar o conhecimento, seja escola rica ou privada. Ao invés de dedicar seu pouco tempo para educar, as redes sociais estão cheias de pais improdutivos, que não conseguem nem conversar com os filhos, que não estão esforçando-se para tornar seus filhos grandes pessoas, grandes líderes. Não dar para agora querer jogar toda a culpa do massacre em Suzano em um jogo de smartphone – Free Fire. Não, isso é querer ser muito medíocre e terceirizar a sua responsabilidade como principal responsável por educar seu filho.

 

Então, a primeira coisa que deve ser feita agora é simplesmente PARAR, somente, pare. Essa ação já irá ser bastante útil. Depois, independente da relação com o seu filho, deitem-se na cama juntos e conversem sobre qualquer coisa e ouça mais do que fala, apenas ouça, senão apenas o silêncio já importa (Crie rapport). Sinta-se presente com seu filho. Preste atenção na forma que ele fala, os movimentos faciais, o tom de voz. Veja a grandeza, a perfeição do ser humano em seu filho e o quanto você deve ser divino em cumprir sua missão como pai educador e não apenas uma máquina de brinquedo, que dá dinheiro e que sai alocando o filho em várias atividades como se fosse um objeto sem interesse. O importante não é quantidade de coisas que fazemos, mas a qualidade, a perfeição que a executamos. Crie histórias bonitas com o seu filho, aproveite os momentos, se for necessário, às vezes desligue todos os aparelhos eletrônicos em sua casa (tv, tablet, celular) e apenas permita que seja provocado pelo silêncio para ter estímulos de atenção ao seu filho. Eduque seu filho, ou ele será educado pela internet.

 

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Autor: Reginaldo Santana