Jota Cruz

CULTURA E TRADIÇÃO



17/06/19 07h02   Artigos Imprimir

 

 

 

Quando chega o mês de junho o nordeste brasileiro se prepara para a grandiosa festa junina que comemora três santos católicos reverenciados nesta época do ano, Santo Antônio, São João e São Pedro. Segundo os especialistas em manifestações populares, no nordeste e no norte do Brasil as festas juninas são muito mais festejadas pela a população do que o Natal e o Réveillon, chegando a aumentar o PIB regional. As festas juninas, que aprofundam a cultura e a tradição de um povo, historicamente chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses, tem uma importância religiosa, cultural e econômica. Diante desse contexto fala-se muito em tradição ou cultura. Convém ressaltar que a tradição é uma ação ou gesto para preservar a cultura de um povo.  

Atualmente criou-se um hábito com relação algumas ações esdrúxulas que dizem que é tradição ou até cultura. Portanto qualquer sociólogo, antropólogo ou folclorista se for questionado o que é cultura vai responder provavelmente o seguinte: Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro. E pode ir mais além dizendo: que cada país tem a sua própria cultura, que é influenciada por vários fatores. Por conseguinte a cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria, e isso se reflete também na música, no caso do samba, no nordeste o forró, MPB e vários rítmos que também fazem parte da cultura nacional. Diante desse contexto, a cultura é transmitida de geração em geração através da vida em sociedade.

Já com relação a tradição a mesma anda abraçada com a cultura. Diante disso observa-se que a tradição são costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, transmitidas para pessoas de uma comunidade, sendo que os elementos transmitidos passam a fazer parte da cultura. Criou-se até o hábito de dizer que um evento que se realiza mais ou menos cinco anos já é tradição. Para que algo se transforme em uma tradição, é necessário alguns anos, para que o costume seja criado e reconhecido como tradição. Algumas celebrações, festas populares e religiosas, competições esportivas, fazem parte da tradição de um povo. Muitas vezes algumas pessoas seguem uma determinada tradição sem sequer analisar o verdadeiro significado da tradição em questão, tornando-a um problema para comunidade que pertence. Portanto, a tradição permite a perpetuidade de uma cultura ou de um sistema social.

Finalmente tradição é uma ação, gesto ou manifestação para preservar uma cultura e não para gerar conflito ou agredir grupos sociais em vários seguimentos como por exemplo: religioso, musical, literário, racial e etc. Aqui em Estância e também em outras regiões, infelizmente a tradição às vezes provoca acidentes gravíssimos e fatais.

                                             “DEFENDER A DEMOCRACIA”

Recentemente o TSE aprovou a averbação da incorporação do Partido Pátria Livre (PPL) ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Com isso, a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, enalteceu a decisão dizendo que a união dos partidos serviria para “defender a democracia”. Coisas da modernidade política de nosso país: onde se viu comunista defender a democracia? Historicamente onde o comunismo se instalou sempre transformou a democracia em ditadura, muitas vezes através de derramamento de sangue e terror. Um gesto que não é concebível, regimes comunistas ou totalitários como Coreia do Norte, Cuba, Vietnã, Laos e alguns africanos, serem considerados democráticos. Isso seria descontruir a democracia.

                                                         SÃO JOÃO

Com a “salva” realizada no último dia 31 de maio, iniciou os festejos juninos 2019. A festa junina estanciana que apresenta uma religiosidade que “une” o profano e o sagrado possui um folclore bastante rico que deve ser mantido pela comunidade, entretanto, o mesmo não pode ser usado por algumas pessoas que confundem tradição com atos de vandalismo para destruir o patrimônio local e amedrontar o turista. Vale lembrar que em nossa cidade existe um local exclusivo para queima de fogos que está localizado no Forrodrómo, mas que alguns insistem em não utilizá-lo, preferindo as ruas da cidade. O festejo junino estanciano é secular, não necessita de defensor, pois, está impregnado na índole da população. Nota-se que o mesmo ainda não perdeu seu charme sendo a nossa maior manifestação cultural, por isso, continua sendo uma das maiores festas populares do nosso Estado e talvez do Nordeste, perdendo (?) apenas para algumas realizadas na Paraíba e Pernambuco.

                                               FORRÓDROMO: 25 ANOS

No dia 23 deste mês, véspera de São João, o Forródromo estará completando de 25 anos de inaugurado – 23/06/94. Na época o Governador do Estado era João Alves Filho e o Prefeito Nivaldo Silva. Foi o maior espaço criado em Sergipe com 60 mil metros quadrados para a realização de eventos populares com áreas para shows, plataformas para corridas de barcos de fogo, quadra protegida com telas de aço para a queima de busca pés, espadas e arquibancadas para os espectadores e ainda com um enorme estacionamento. Além de artistas locais, no Forródromo também se apresentaram artistas e bandas conhecidas nacionalmente: Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Adelmário Coelho, Pe. Fábio de Melo, Rogério, Trio Nordestino, Mastruz com Leite, Magníficos, Cavalo de Pau, Amorosa e etc. O Forródromo foi inaugurado com o nome do Governador João Alves e depois mudou para Rogério Cardozo. Atualmente é um espaço ocioso, pouco usado na realização dos festejos juninos, este ano só foi utilizado na salva e depois na véspera de São João.

                                               "SOMBRAS DA SAUDADE"

Nas comemorações da elevação a categoria de cidade, o estanciano cineasta e escritor, Carlos Modesto, lançou o livro, “Sombras da Saudade – a história dos cinemas da cidade de Estância”, bastante interessante que mostra um período glorioso da sétima arte na Cidade Jardim. Além da parte inicial e anexos, o livro é composto de 18 capítulos, fotografias antigas de Estância e também de personagens que foram incentivadores ou que investiram nesta modalidade de lazer como por exemplo: Diógenes Freire Costa, Clemente Freitas, Júlio Cesar Leite, Raimundo Nobrega de Mendonça, Leopoldo Souza, Oscar Lima de Faria, Benjamim de Souza Alves, os irmãos Nivaldo e Renato Silva, Wanderlei Silva e tantos outros. Resumindo, o mesmo mostra como começou a ser exibido os primeiros filmes em Estância, em uma época em que era conhecido como “cinema mudo” e até chegar ao cinema com sonorização. Quem quiser conhecer um pouco das coisas boas da Cidade Jardim, deve ler “Sombras da Saudade” um excelente trabalho literário.

   

 

 

  

 

 

 

 

Folha da Região NE