Jovem de 18 anos do interior de Sergipe cria empresa de tecnologia e dá aulas de robótica nas escolas

Ivia Tainá desenvolve robôs de baixo custo para ensino de matemática nas escolas públicas de Sergipe



13/09/19 04h21   Educação Imprimir

Jovem de 18 anos do interior de Sergipe cria empresa de tecnologia e dá aulas de robótica nas escolas

Ivia Tainá desenvolve robôs de baixo custo para ensino de matemática nas escolas públicas de Sergipe

Ivia Tainá, de 18 anos, tornou-se uma das mais jovens empreendedoras sociais do estado de Sergipe. (Foto: Divulgação)

Foi por meio da tecnologia que Ivia Tainá, de 18 anos, tornou-se uma das mais jovens empreendedoras sociais do estado de Sergipe. Moradora da cidade de Santa Luzia do Itanhy, a 76 km da capital Aracaju, ela participa do Projeto LiLo, que desenvolve plataformas de robótica de baixo custo para o ensino de matemática nas escolas da rede pública municipal.

A trajetória de Ivia na tecnologia começou em 2014, quando entrou para o curso de programação do Projeto CLOC, uma iniciativa do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI) para crianças e adolescentes da região.

Filha de pai pescador e mãe dona de casa, a jovem encontrou na robótica a chance de ajudar a transformar a realidade de uma comunidade com pouco menos de 13 mil habitantes e que está entre as cidades com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. “Eu não tinha uma perspectiva de futuro, mas acabei me apaixonando pela tecnologia. Primeiro pela programação, depois pela robótica. Hoje eu não me vejo fazendo outra coisa”, afirmou Ivia, durante o SAP NOW Brasil 2019, nesta quinta-feira (12/09), em São Paulo. A SAP é parceira do IPTI e apoiadora do Projeto LiLo.

Ela se tornou professora de robótica e programação na comunidade onde vive e passou a ensinar professores das escolas a utilizarem robôs em sala de aula. “No começo, eles tinham medo de que a tecnologia não funcionasse, mas nós mostramos o quanto ela poderia ser útil para o ensino e facilitar a vida do professor”, diz Ivia. “Sabíamos que, às vezes, um robô pode ser mais estimulante que um livro, pois ele envolve a criança e a estimula a aprender mais”.

Os robôs utilizados nas salas de aula são desenvolvidos pelo Centro de Tecnologia Citi², empresa criada por Ivia e outros ex-alunos do projeto CLOC. Formado por 13 sócios, com idades entre 15 e 20 anos, o empreendimento ensina e desenvolve soluções de TI na comunidade. Em seu portfólio de clientes, está a Microsoft e o próprio IPTI.

 

A equipe participa de todo o processo de fabricação do robô, desde o desenho até a montagem. A tecnologia é composta por peças fabricadas em impressora 3D e materiais recicláveis. Além do robô, a empresa também cria aplicativos e websites. Ivia é responsável pela articulação de novos negócios e captação de clientes.

Um dos principais objetivos da Citi² é a geração de renda e desenvolvimento da região. “Muitos jovens em Santa Luzia, ao completarem 18 anos, partem para o Sudeste do país em busca de novas oportunidades. Por isso, criamos a nossa empresa para que eles permaneçam junto de suas famílias e encontrem melhores condições de trabalho aqui na comunidade”, diz Ivia.

Para Saulo Faria, cofundador do IPTI, a tecnologia é uma oportunidade para manter os talentos de Santa Luzia do Itanhy na região. “São jovens com um grande potencial, mas que viviam em uma realidade na qual não se acreditava no poder da tecnologia. O aprendizado e a visão empreendedora fez com que esses jovens se desenvolvessem e se tornassem inspiração para outros".

Ivia Tainá conta que o maior desafio no início de sua trajetória na tecnologia foi o apoio da comunidade. “As pessoas nos criticavam e diziam que programação era coisa para filho de rico, e não para filho de pescador. Nossa dificuldade foi fazer com que a população de Santa Luzia do Itanhy acreditasse no nosso potencial”, afirma Livia. “Hoje, eu sinto orgulho em ver que meus alunos querem ser como eu: professora de robótica e empresária aos 18 anos”.

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