TABLADO

Um novo cenário para a política sergipana



18/12/19 10h21   Artigos Imprimir

 

Para quem acompanha a politica em Sergipe, em especial as nuances municipais, de certo perceberá que a reforma política de 2017, já traz seus efeitos, de imediato passamos a perceber a inquietude dos políticos detentores de mandatos principalmente os vereadores e suas estruturas de poder pois, já não se engana mais o eleitor como antigamente. Cada vez mais escassos, muitos desses eleitores, “Joões e Marias” enganados em 2016/2018, já estão impacientes, com a “...vara de marmelo e cipó camarão separada para dar no safado que for pedir voto na jurisdição...”, assim como profetiza o grande Zeca pagodinho em sua música (Comunidade carente).

Profecias à parte, podemos perceber que na eleição 2020, um novo cenário na politica se torna possível e os principais atores são os partidos políticos chamados por muitos como “pequenos” nome esse oriundo pela falta de representatividade governamental e pecúnia oriunda do fundo partidário, isso mesmo, os valores que atraem maus intencionados e afastam os cidadãos da política honesta e justa ou ainda podemos chamar de “o passaporte para o inferno”, essa diferença faz dos partidos menores e ideológicos, isentos da maioria das trapalhadas cometidas pelo governo/parlamento, devendo esses somente sustentar suas bases e posturas, em detrimento ao tradicionalismo político cujos seus postulantes aos mandatos, passam momentaneamente por uma ojeriza popular.

É evidente o desgaste dos políticos e seus respectivos partidos. Com o fim das coligações proporcionais, o ativismo judiciário, somado a implacável ação da imprensa e o ceticismo de parte da população, cada vez mais impaciente com os governos/parlamentos, tem obrigado a política passar por uma metamorfose sem precedentes, de modo a isolar os políticos com mandato e seus respectivos agrupamentos. Esse movimento irreversível já está em curso em alguns municípios, concluímos assim que somente poucos detentores de mandato conseguirão a façanha da reeleição, somado a uma rejeição por parte dos novos candidatos, no que se refere e união/chapa eleitoral com nomes conhecidos em agrupamentos políticos postulantes para reeleição na próxima disputa eletiva.

Pode- se dizer que hora do troco está próxima, ou seja, a maioria dos pré-candidatos, geralmente os derrotados no pleito e esquecidos do governo, já maduros devido a “rasteira” tomada outrora tendem a vingar-se, no que se refere em não filiar-se por partidos com vereadores, isso mesmo, a arrogância dos mandatários que traíram sua sigla, seu grupo e o povo em geral, durante todo o tempo, decepcionou e afastou pessoas dispostas a candidatar-se além de que na extinção das coligações proporcionais uma frase passa a vigorar: “O mandato espanta!”; Neste caso, as estrelas da política tradicional estão cada vez mais isoladas e seu projeto de reeleição em cheque.

Outra situação que nos chamam a atenção são os “vegetais do poder”, assim denominamos esses são os políticos  que estão no poder a décadas. Cujo a família e fortuna foram feitas nas “tetas do governo”; Esses, geralmente com mais de 3 mandatos sempre pífios, às sombras do mandatário de plantão, seja qual for, fundamentados no pragmatismo do poder pelo poder. Encontramos este espécime geralmente nas câmaras municipais e diferente de apresentarem-se como as árvores frondosas e belas, esses cada vez mais estão decadentes, expostos e perdidos devido seu desgaste natural, afinal tudo passa, ainda mais, os políticos ruins e desesperados. Devemos focar exterminar democraticamente em maus representantes, os que não conseguem evoluir, a exemplo, mandar para casa os vereadores e prefeitos com diversos mandatos, certamente isso não se dá pelo seu potencial político, mas sim pelo seu poder de articulação e estrutura assistencialista e corrupta que implantaram nos seus mandatos medíocres, mais preocupados com suas organizações que com a população!

Diante do exposto, devemos nos preparar para o “tudo ou nada” ou tiramos muitos políticos de “seus mandatos” muitas vezes comprados, ou sucumbiremos diante da mesmice, devemos aproveitar a oportunidade que a democracia nos oferece e como cidadãos, ficarmos atentos às movimentações dos partidos e dos pré candidatos, daí começarmos a buscar representações novas e mais próximas da nossa realidade, de preferência, não votar em partidos que já decepcionaram no poder, de aluguel ou envolvidos em escândalos de corrupção isso já ajuda muito e nos permitirá a tão necessária renovação, mas cuidado, a renovação não passa necessariamente por escolher novos nomes, a exemplo dos famosos “ lobos com pele de cordeiro”  mas sim, eleger pessoas com novas posturas, com currículo ilibado e acima de tudo com compromisso com a sociedade e a política local. Lembremos que Sergipe ainda vive sobre o manto do assistencialismo e do coronelismo, apesar do que já evoluímos, devemos romper muitas barreiras e a nova política é a solução!

 

Paulo André Fontes é professor de História, bacharel em Direito e Dirigente estadual do partido REDE.

Paulo André