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O que esperar da política sergipana em 2020.



31/12/19 09h14   Artigos Imprimir

 

A política sergipana em 2019 em todos os aspectos está dando muita dor de cabeça para a “casa grande”  diante dos diversos acontecimentos políticos e social podemos dizer que temos sim motivos para festejar, do ponto de vista da rebeldia de alguns políticos e da Maioria dos eleitores, salvo exceções. Basta resgatar um pouco da memória, os fatos e posicionamentos da classe dos mandatários da “realpolitik” sergipense, ou seja, daqueles que em detrimento da política ideológica, debruçam-se às questões práticas do poder; para tanto, reverenciam o “desapego” frente aos seus eleitores e partidários, mas isso já falamos no artigo anterior.

No geral, percebe-se que a política sergipana realmente entrou numa nova fase. Temos muitas novas caras e aos poucos novos procedimentos, sentimos também uma mudança de posturas das pessoas que hoje decidem enfrentar a peneira eleitoral pós 2017 ( reforma política), cada vez mais, os remanescentes da velha guarda da politica sergipana não encontram espaço para iludir eleitores nem novos postulantes a cargos eletivos, pois, já passamos a fase de inocência. Porém muitos “santos do pau oco” estrategicamente infiltraram-se nessa “nova politica” sergipana, basta observar a turma das caras e bocas que vivem entre altares e fotos, profanando a seriedade que deve ter/ser a fá religiosa. Esses, sempre na espreita não perdem a oportunidade para migrar das sacristias, cultos ou terreiros para os gabinetes, talvez sejam os novos estorvos que tenhamos que superar.

Primeiramente chamo a atenção da importância dos “ Vices” esses que a partir do governo Temer, passou a ganhar importância e chamar a atenção, visto que outrora vice era figura decorativa e se mal escolhido poderá ser o nosso maior pesadelo.

Quanto a mudanças de posicionamentos poderemos ver na prática como a diminuição de postulantes às câmaras municipais, em detrimento disso, vemos o volume exacerbado de postulantes ao executivo nos municípios, o que prova o fim das estratégias de polarização tão ruim para a democracia; outra fonte de mudança passa pela Justiça eleitoral, que cassou mandatos de deputados estaduais e prefeitos, como o caso da cidade de Ilha das flores/SE, fomentou as eleições suplementares a exemplo da cidade de São Francisco/SE e a cassações de mandatos do deputado federal sergipano, nunca se imaginou tanta ação do judiciário na política sergipana.

Ninguém pode mensurar o que acontecerá no comando do governo estadual, uma vez que o mandato atual já fora cassado pelo TRE, sob alegação de abuso de poder caracterizado pelas assinaturas de ordens de serviço “as vésperas do período eleitoral” e por recorrer ao TSE, a chapa dos gestores estaduais encontram-se no exercício do cargo eletivo, até futuro julgamento da corte, o problema é que membros do partido da vice governadora já articula “minar” o outrora glorioso governador que em campanha, juntos faziam “dancinhas” e vendia a imagem de que “veio para resolver”; esse estranhamento abre espaço para uma nova incursão da oposição que no momento está no próprio governo, isso gera o inevitável dissabor da disputa do poder pelo poder, fato outrora denunciado por este editor.

Num outro cenário, a situação desses adversários ajudam o surgimento de novas composições, mas para isso depende da coragem e da inteligência desses novos postulantes, entre eles chamo a atenção do grupo que com o “falso discurso” da nova política ganharam espaço na mídia e a oportunidade de exercer mandato eletivo, estes vem decepcionando a população e ao brigarem entre si e consequentemente mostrarem as “unhas”, estão perdendo a confiança e o prestígio tão recentemente conquistado, restando aos mesmos as “caras e bocas” nas fotos e posteriores pedidos de desculpas aos eleitores.

O modismo politiqueiro do Bolsonarismo X Lulismo não cola mais no imaginário popular sergipano, visto que um vive da desgraça outro e hoje, facilmente reconhecido os equívocos de ambos não tem adesão nem prestígio popular o que vem a conclusão que político que grita em nome de uma ou outra tese não decolará.  

Vale ressaltar que 2020 vem aí, Sergipe necessita continuar com as mudanças pois, boas ou más já trouxeram a população um sentimento de que assim não dá para continuar, haverá certamente uma rotatividade de representações, a rua e a opinião pública já inclina-se para uma quebra de paradigma sem precedentes da política sergipana nesse sentido, esperemos o porvir.    

     Paulo André Fontes, Professor de História e bacharel em Direito.