COLUNA DO J. CRUZ



29/04/20 09h40   Artigos Imprimir

 

CORONA VÍRUS E AS INCERTEZAS

Essa história de quarentena tem deixado muita gente assobrada. Uns reclamam porque ficam em casa, não pode receber visitas dos amigos e principalmente dos netos, não podem participar de atos litúrgicos e essa situação poderá levar a uma depressão, mesmo o cidadão ou cidadã tendo uma casa ampla com direito a se movimentar tranquilamente, a assistir diversos canais de tv paga (mesmo sem futebol) e possuir internet veloz, uma vez ou outra uma cervejinha, principalmente se o ordenado ou aposentadoria estiver entrando na conta sem problemas. Possui ar condicionado, quando está com fome pede ao sistema delivery e paga no cartão de crédito ou débito. Para essa categoria, que me incluo, dá para ir levando, se protegendo contra o vírus chinês e cumprindo as determinações das autoridades da área de saúde.

Agora para quem está em quarentena preocupado porque recebeu férias antecipada, pensando que ao retornar vai ser demitido, ou aquele que é autônomo parado sem trabalhar, que mora em uma casa pequena (as vezes de aluguel), sem assento para todos, alguém sempre tem que ficar de pé para os mais velhos sentar-se. Olha para a geladeira e ver ficando vazia, água, luz, aluguel para pagar. Quando os filhos pequenos começam a brincar dentro de casa gritando, é um verdadeiro alvoroço, porque se for para rua vai se contaminar, é filho pulando, cachorro latindo (tudo ao mesmo tempo). Não tem tv por assinatura, a internet é lenta, o telefone sem crédito, não possui caixa d’agua, por isso, passa o dia todo sem água, um calor horrível, mas se chover corre o risco de o telhado não suportar, a noite as muriçocas não deixam dormir. Muitos que estão nessa situação, estão entrando em pânico e é contra a esse tal de isolamento social ficando em casa sem trabalhar.  

Recentemente alguém dizia que sobre essa pandemia estava aparecendo com um gato quando o dono está se mudando, ou seja, não sabe se fica ou se vai na “muda”, pula para um lado, pula para o outro. E ainda tem aquelas pessoas que estão mais perdidas do que cego em tiroteio. É uma situação complicada, alguém diz: vai trabalhar, não, fica em casa, morre do vírus ou morre de fome. Assistem vídeos do biólogo, do médico, do empresário, do infectologista, do enfermeiro, do povo do zap, do facebook, do padre, do pai de santo, do pastor, do especialista, do político. É uma verdadeira agonia e se assistir a rede Globo aí é que a coisa complica. Se partir para o rádio vai escutar locutor que é infectologista, patologista, médico com várias especialidades ao mesmo tempo, advogado, administrador etc. Tem orientações para todos os gostos e para completar essas dúvidas, vem alguém e diz: por favor não vamos esquecer da zika, da chikungunya e da dengue. É vírus que não acaba mais.

As informações e determinações não param, tem decretos para tudo, tem deles que parecem que é toque de recolher. Alguém quer que feche tudo, outro quer que abra tudo. Outro já diz: vai morrer, não vai morrer, o que não falta é estatística com previsões escatológicas. O cidadão acuado vai na janela e tem panelaço a favor e contra, canta um louvor, faz uma cantoria. Faz uma mandiga na janela, sai para o terreiro e joga água sanitária, bate palma para o médico, reza o Pai Nosso, pede ajuda aos Santos, para os orixás. Bate palmas para o lixeiro, para as enfermeiras, para o pessoal do mercado, das farmácias, para os motoristas. Passa álcool gel, líquido, bebe um pouco também, principalmente aqueles que gostam da “mardita”. Alguém orienta: tem que usar máscara, não usa máscara. Tem que usar luva, não necessita de luvas, tem de lavar as mãos com sabão, só que às vezes não tem água nas torneiras. Mas para completar essa situação desoladora, os idosos querem ficar na rua e os novos em casa.

Diante desse quadro apocalítico nos parece que tem uma torcida organizado vibrando com essa situação, estão querendo tirar dividendo político e assistir o caos econômico se instalar no país. Ano de eleição municipal, tem prefeito que está piscando e os governadores querendo dinheiro para ajudar correligionários candidatos. Agora no Brasil não se morre mais de dengue, tuberculose, acidentes, fome, desnutrição, seca e de violência, já existem denúncias que estão adulterando laudos para dizer que a causa mortis, foi o corona. E o mais complicado que esse vírus chinês é terrível mesmo, quem contrair parece que não é curado porque só divulgam os óbitos, cura não existe. Segundo levantamento do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2019 por violência morreram 41.635 pessoas em nosso país. Pelo menos com esse vírus o Brasil deixou de ser um país violento, ninguém morre mais por violência.

Finalmente, estou entocado em minha casa, procurando não assistir o terrorismo divulgado pela mídia, rogando aos céus, que esse maldito vírus chinês fique longe de minha área, pois, já sou um idoso e faço parte do grupo de risco. Mas com fé em Deus, todos nós iremos vencer essa carraspana e dias melhores virão.