Não consigo respirar!



20/06/20 12h30   Artigos Imprimir

A História é a ciência que estuda o passado para melhor entendermos o presente e possamos projetar o futuro. Esse é um dos tantos argumentos que nós historiadores aprendemos nos primeiros dias da academia. Porém com o passar dos tempos essa afirmativa se torna cada vez mais prática quando começamos comparar a tese aos acontecimentos reais. O que vem ocorrendo nesse ano de 2020 certamente influenciará para uma ruptura do homem pós-moderno para algo além ao que chamamos de contemporaneidade, ou acertamos na conduta, ou estaremos perdidos de vez!

 

Se o dilema era  o COVID-19 e seu impacto político e socioeconômico que traria uma nova forma de viver pós pandemia, ninguém imaginava que o caso George Floyd, negro, trabalhador e Norte americano desnudaria o preconceito racial que nunca fora tão explorado midiaticamente na história, isso mesmo, sempre existiu mas, era ignorado. Tanto o vírus devastador quanto a cultura do ódio desde sempre tinham como arte final a expropriação do ar daquele que sucumbe perante tal ação; seja por falta de equipamentos de saúde adequado quanto de humanidade, o preconceito e a discriminação, essas formas distintas têm um ponto em comum, decidem quem respira ou deixam de respirar, isso não é justo!

 

Observando melhor, estamos num ambiente de revolução comportamental, cujo o cidadão passa por praticar tudo antes visto como teoria ou utopia, seja quando sonhamos em um novo mundo pós pandemia; quando elegemos governos fascistas ou autoritários; nos colocamos em confinamento espontando e até mesmo quando vamos finalmente as ruas enfrentando o estado opressor e a doença invisível em nome do fim do preconceito racial.

 

O mundo agora não aceita calado tanta xenofobia, houve um tempo que a escravidão e os ônus trazido pela cor da pele era visto como normal ou consequência de uma condição, agora, hoje e no porvir não dá mais, chega! Não é cabível sob quaisquer circunstâncias ações opressoras que vem acontecendo diuturnamente contra idosos, homens, mulheres e crianças negras por outros humanos  cujo a única diferença geralmente é a cor da pele. Vidas negras importam!

 

Paramos o mundo para refletir ou para agir? Seja qual a sua escolha é preciso entender que não podemos viver em paz enquanto outros seres humanos estão em constante guerra, seja consigo ou com o outro, um dia o problema do vizinho chegará a nossa porta!

 

A pouco, tínhamos a falsa sensação de normalidade a que a pauta era o progresso da humanidade, capitaneado pelas nações mais ricas e experientes, referência mundial até que os Titãs, China e EUA, economia e cultura nos mostram que não estão tão bem evoluídos assim. É hora de parar para rever nossos conceitos pois, nossos descendentes precisarão do mundo que estamos construindo agora, já não dá para ignorar que estamos perdidos e devemos rever o rumo das nossas ações e omissões.

 

No século passado o problema da camada de ozônio apavorava a população sobre a temática do ar, com muito esforço e a  contribuição de todos os envolvidos conseguimos controlar o fato e contornar a situação. Hoje devemos focar novamente no ar, mas sob o prisma de saúde e cultura/comportamento, que por sinal já deveria estar superada antes de qualquer progresso tecnológico, porém descuidamos da educação e da politica e a sua consequência vem como forma de prejuízos diversos, devemos corrigir nosso equívoco evolucionista!

 

Enfim, para os conscientes ficam a sensação de culpa e a vontade de reinventar-se para melhor aproveitar o porvir, mas para os inconsequentes ou desatentos, olhar para a história seria reconhecer que não evoluímos, mas sim involuímos. Para “eles” a verdade doí, a realidade incomoda e ao invés de reconhecer os erros preferem delegar a Deus a resolução dos seus problemas. O fato é que a história não passa, ela é constante e contínua como o tempo, quem passa pela vida somos nós, enquanto podermos respirar!

 

Paulo André Fontes é estanciano, graduado em História, Pós graduado e m Planejamento e Gestão de Projetos Sociais, Bacharel em Direito e filiado ao PV Partido verde.

 

 

Matéria publicada na Coluna Tablado, veiculada no jornal Folha da Região