O homem de Uz



15/12/20 01h34   Artigos Imprimir

A terra de Uz é um local mencionado no Antigo Testamento, mais notavelmente no livro de Jó, que se inicia com a seguinte frase: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó”. (Wikipédia). Duas localizações bem possíveis de Uz, seria uma entre Damasco e o Rio Eufrates na Orla do Deserto da Arábia e a outra estaria localizada na fronteira de Edom também no Deserto da Arábia. No caso da última possibilidade, situa Uz nas proximidades comumente aceitas dos lugares de origem dos três amigos de Jó; os que vieram visitá-lo. (Wikipédia.org). Traduzindo do hebraico, Uz traz como significado “arborizado”. Todavia, segundo a tradição bíblica, Uz é a terra de Jó.

A origem edomita do homem de Uz, emerge quase que certamente do contexto geográfico na narrativa da sua vida. Ele viveu “no Leste (de Israel) e Edom estava ao Leste e um pouco ao Sul de Israel, no canto Noroeste da Arábia, (cic.unb.br). Ao homem de Uz, nasceram-lhe dez filhos, sendo sete homens e três mulheres. E ele, foi o homem mais rico dentre todos os habitantes do Oriente. Seus filhos e filhas eram por demais unidos, coisa rara nos dias atuais. Era costumeira aos filhos de Jó, visitarem-se alternadamente para se banquetearem familiarmente. Diante dessa prática, deixava clara a união exacerbada dos filhos do edomita e paciente homem da terra de Uz. Como nos relata a história divina, o homem de Uz, era um homem íntegro, reto e temente a Deus, algo um tanto raro de se encontrar na vida contemporânea dos dias de hoje.

 Não foi à toa que num diálogo entre Deus e o Diabo, (Satanás) para os íntimos, Deus pergunta-lhe: “Notaste o meu servo Jó? Não há outro igual a ele na terra; é um homem íntegro e reto, temente a Deus e se mantém longe do mal”, (Jó 1, 8). Pois é, naqueles tempos, o Pai Celestial já incutia, derramava em seus filhos, elogios brilhantes, e com o homem de Uz, não foi diferente, pois mesmo nas mais cruéis provações, ele, o homem de Uz, sempre se manteve firme e fiel ao Soberano Criador. Mas para tanto, como sempre, também nas vidas cotidianas, o adversário, (Satã), para seus íntimos, é claro, não perdeu tempo em apimentar o diálogo com uma dose suculenta de veneno (a inveja), por muitos entes apreciada, responde minuciosamente, com uma pergunta: Por acaso, “é a troco de nada que Jó teme a Deus? Não o cercaste com uma muralha a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens? Não abençoaste tudo quanto ele fez, e seus rebanhos não cobriram toda a região? Agora, estende a tua mão em tudo que ele possui, e juro que logo, ele te amaldiçoará em tua face”, (Jó 1, 9-11).

No mundo em curso, não se vê muita diferença, pois, nas mais sombrias esquinas da vida, há sempre alguém insatisfeito com o sucesso de outrem, pronto e programado para a qualquer custo obter algo ilicitamente, mesmo que para isso, tenha até que vender a própria alma para o diabo. E o Criador, com toda sua gentileza, coloca no poder do invejoso, ou seja, (Satã), tudo o que o homem de Uz possuia; porém, ordena-lhe que não atente contra a vida dele, (Jó 1, 12). E, espertamente, o invejoso vai injetando o veneno da discórdia, das intrigas, e da mentira, em meio a sociedade paupérrima de fé, de paz e de esperança. Segundo (Jó1, 13-19), esse veneno vem em forma de inúmeras perdas do homem de Uz, a saber: seus animais, seus escravos e até seus filhos. Daí, uma indagação: que homem nesta vida terrena suportaria tanta dor? Pois, queridos leitores, o homem de Uz, foi forte, firme, íntegro e fiel, e disse garbosamente aos quatro ventos: “Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei; o Senhor deu, o Senhor tirou: Bendito seja o nome do Senhor”, (Jó 1, 20-21). E dessa forma o homem de Uz, não cometeu nenhum pecado, nem blasfemou contra Deus.

Porém, hoje, na pequena ou grande redoma cristã, as blasfêmias e os blasfemadores se bicam e se estranham nas mais diversas pontes do destino. Contudo, o Pai Celestial, continua tecendo elogios ao “Homem de Uz”, dizendo que não há ninguém igual a ele aqui na terra, (Jó2, 3). Enquanto isso, o invejoso se põe às escuras incitando os homens a ter vantagens indevidas, escravizar os irmãos e até lhes tirar a vida se preciso for. Por isso, abramos os olhos, estejamos atentos, sejamos pacientes, pois o lobo (Satanás), está de vigia, pronto para abocanhar o homem de Uz.

Cláudio de Souza Oliveira é poeta, licenciado em Letras/Português e acadêmico do Curso de Letras/Libras.